Rio 2016: transcender limites

Brasileiros recuperam-se de traumas por meio do esporte

Por Alanna Anjos, Laíz Sousa, Paulo Octavio e Ygor Piva

Em agosto deste ano, o Brasil teve a oportunidade de sediar as Olímpiadas no Rio de Janeiro. Um marco para a história do país que realizou o evento com muito sucesso e também para o setor esportivo brasileiro, ao obter o melhor desempenho da história no quadro de medalhas: sete ouros, seis pratas e seis bronzes, garantindo a 13ª posição no resultado geral.

Durante duas semanas, a torcida brasileira acompanhou e torceu pelos atletas do país, mas poucos sabem da preparação dos esportistas, que começa bem antes do grande evento. Nos quatro anos que antecedem a disputa, os competidores treinam e aprimoram mente e corpo. Além disso, usam a prática esportiva como forma de encarar problemas.

Do inferno ao céu

Rafaela Silva, judoca e primeira medalhista de ouro do Brasil nas Olimpíadas Rio 2016, enfrentou maus bocados para chegar ao lugar mais alto do pódio. Na edição passada dos jogos, a atual campeã olímpica foi desclassificada após um golpe ilegal. Por conta disso, recebeu diversos insultos raciais por parte da torcida. Rafaela cogitou largar a profissão, mas sua família e mentores não a deixaram desistir. “Depois da minha derrota, muita gente me criticou, disse que judô não era pra mim e que eu era uma vergonha para a minha família. Agora eu sou campeã olímpica dentro da minha casa”, revelou a judoca em entrevista ao canal SporTV.

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Rafaela Silva com sua primeira medalha olímpica (Reprodução)

Criada na comunidade carioca Cidade de Deus, o esporte ajudou a atleta a controlar seu temperamento agressivo na infância. Por meio de aulas oferecidas pelo Instituto Reação — ONG criada por Flávio Canto, ex-judoca e medalhista olímpico — o talento de Rafaela não tardou a aparecer. Apesar da falta de dinheiro da família, foi ajudada pelos professores com as despesas das competições.

A autorrealização e a possibilidade de vencer com o esporte fizeram da jovem um exemplo de superação para diversas crianças que sonham em um dia competir: “É muito bom para as crianças que estão assistindo ao judô agora ver alguém como eu, que saiu da Cidade de Deus, que começou o judô com cinco anos como uma brincadeira, ser campeã mundial e olímpica, é algo inexplicável”, compartilhou a medalhista em sua página no Facebook.

Volta por cima

Nem só de atletas é feita uma Olimpíada. Roseli de Oliveira, funcionária do banco Bradesco — um dos principais patrocinadores do evento no Rio — foi escolhida para carregar a tocha olímpica em Osasco. Ela foi inscrita por uma amiga em uma campanha da empresa que escolheria a melhor história de superação para participar do revezamento.

Aos 38 anos, Roseli sofreu um AVC. O episódio a afastou por dez meses do trabalho e lhe tirou a memória, mas foi no esporte que encontrou motivação para encarar esse momento delicado. “O esporte traz vários benefícios, como a autoestima, amigos, compromisso com você mesmo. O esporte pode mudar a vida de uma pessoa e sempre para o bem”, disse a bancária.

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Roseli de Oliveira carrega tocha olímpica em Osasco (Divulgação)

A edição carioca das Olimpíadas mostrou que o ouro olímpico é o desejo de muitos atletas, mas a maior lição que fica da prática desportiva é conviver com as derrotas e entender a dualidade das competições, segundo artigo publicado na Revista Portuguesa de Ciências do Desporto por Katia Rubio.

Além de Roseli e Rafaela, o mundo pôde conhecer outros “heróis nacionais”: Diego Hypólito, Thiago Braz e Isaquias Queiroz.

Mas as emoções não acabaram no dia 21 de agosto. A partir de 7 de setembro, começam os Jogos Paralímpicos de 2016 e mais histórias surgirão.

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