Terrorismo na França: série de atentados completa um ano

Ataque do Estado Islâmico na cidade de Paris provocou reações diferentes ao redor do país

Por Alanna Anjos, Laíz Sousa, Paulo Octavio e Ygor Piva

A série de atentados cometidos pelo Estado Islâmico (EI) em Paris, que deixou 129 mortos e 352 feridos, completou um ano no último domingo. Os ataques coordenados deixaram os países ocidentais em estado de alerta contra os radicais; foram oito focos de ataque em um intervalo de pouco mais de 30 minutos. O ato mais violento ocorreu na casa de show Bataclan, onde 89 pessoas morreram.

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Mapa dos ataques da noite de 13 de novembro de 2015 na capital francesa (Reprodução)

Em comunicado divulgado pelo EI na internet, a organização assumiu a autoria dos atentados e listou a França como seu principal alvo e justificou a escolha das regiões afetadas (tradução livre):

E assim oito irmãos equipados com cintos de explosivos e armas de fogo atacaram precisamente os alvos escolhidos no centro da capital da França. Esses alvos incluiram o Stade de France durante uma partida de futebol — entre os times da Alemanha e França, ambas nações cruzadas — […] na qual compareceu o imbecil da França (François Hollande), o Bataclan, onde centenas de pagãos se reuniram em uma festa idólotra e perversa.

[…] Que a França e todos que seguem o seu caminho saibam que continuarão sendo os principais alvos do Estado Islâmico e que continuarão a sentir o cheiro da morte.

Quatro dos principais suspeitos são europeus radicalizados na Bélgica e na França e descendentes de países do norte da África e do Oriente Médio. A realidade social discrepante dos estrangeiros que vivem à margem da sociedade contribui com a inadequação dos fundamentalistas à vida francesa. “A sociedade europeia é muito difícil no que tange a questão da integração. Isso faz com que se alimente uma insatisfação e tenha nesses grupos terroristas um grande celeiro para poder propagar seus ideais”, explicou o Presidente da Comissão do Direito do Refugiado, advogado e coordenador da faculdade de Relações Internacionais da FMU, Manuel Furriela, em entrevista ao programa Depois da Aula da WebTV FIAM FAAM.

Atentado em Nice

No último mês de julho, um caminhão, que tinha como motorista um terrorista, assassinou 84 pessoas e feriu gravemente outras 18 na cidade de Nice, no sul da França, durante a celebração do Dia da Bastilha. O Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado.

Como reação aos atentados, a cidade de Cannes, próxima a Nice, emitiu no mês seguinte uma ordem proibindo o uso do burkini – traje de banho muçulmano – afirmando que não estava inibindo um símbolo religioso, mas sim “protegendo a população no contexto dos ataques terroristas”.  Além de Cannes, outras duas prefeituras coibiram o uso do traje – as cidades de Villeneuve-Loubet e Sisco – com respaldo do governo.

A ministra dos direitos das mulheres, Laurence Rossignol, justificou o apoio dizendo que o vestuário é uma forma de controle das banhistas. “O burkini não é uma nova linha de moda praia, é a versão da burca para a praia e tem a mesma lógica: esconder os corpos das mulheres, a fim de melhor controlá-los”, afirmou Laurence em entrevista a um jornal francês.

Longe da mira 

Apesar da prisão de dez suspeitos de planejar um ataque terrorista durante as Olímpiadas do Rio de Janeiro, o evento aconteceu sem incidentes. O Brasil não é um alvo do Estado Islâmico, já que o foco são os países envolvidos nas ações para derrubar seu califado — sistema de governo que se baseia nas leis islâmicas — e impedir a conquista de novos territórios.

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No dia 15 de novembro do ano passado, Dilma Rousseff se posicionou contra o terrorismo em reunião do G20. “Essas atrocidades tornam ainda mais urgente uma ação conjunta de toda a comunidade internacional no combate sem tréguas ao terrorismo”, declarou a ex-presidente.

Até o momento, o Brasil tem focado em ações humanitárias para lutar contra o EI. “A cooperação brasileira no combate ao terrorismo tem privilegiado antes aspectos como o acolhimento de refugiados, como no caso da Síria e do Iraque, que a concessão de armas e recursos financeiros e a vertente militar de treinamento”, escreveu o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) em carta ao jornal Folha de S. Paulo.

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